Eu sou cruel
Sem que eu tivesse tempo de esboçar qualquer reação que fosse, o camarada continuou:
- Estou com muita pressa, eu tenho que... - Nem prestei atenção à explicação dele, não me lembro de como ele terminou a longa frase, enquanto eu olhava para o moooonte de contas que ele, com cara deslavada, trazia nas mãos. Eu já ensaiava boas respostas, todas incluindo “vai se foder”, “vai dar” etc.
Na verdade, no meu dia-a-dia não sou de falar tanto palavrão nem sou uma pessoa tipicamente grossa. Eu até tenho lá meus raros surtos de ser cortês e fino. No geral, sou na minha, nem grosso, nem um cavalheiro chatinho de tão cortês. Quanto às situações emputecedoras da vida, estou sempre me controlando para não acabar verbalizando toda a minha ira e toda a minha vontade de mandar o oponente ou o acaso à puta que os pariu. O caso da moça do telemarketing ali embaixo foi mais ou menos verídico, se bem que não tive a menor intenção de ofender.
Voltando ao camarada no banco, eu era o último da fila e, exatamente por ser o último, causava uma falsa impressão de que eu havia chegado ali há pouco tempo. Não, eu já estava ali há mais de dez minutos. Não sei por que diabos, nesse intervalo ninguém mais entrou na fila depois de mim. E então o camarada folgado apareceu. Só havia quatro pessoas na minha frente, mas eu estava com uma pressa do caralho.
O banco era bem fuleiro e só havia dois caixas, sendo um deles destinado a idosos, deficientes e gestantes - ou seja, só um caixa para a minha fila. Eu ia pagar só uma continha e o camarada que pedia para “passar na minha frente” ia pagar um moooonte de contas. Que merda.
Matutei e fiz o seguinte. Como eu não havia respondido nada ainda, com o indicador direito apontei meu ouvido e fiz sinal de não. O camarada entendeu que eu era surdo-mudo e não estava entendendo. Pensei que ele ia desistir e o viadinho começou a fazer gestos, dando a entender que queria passar na minha frente. Que merda. Aí com o mesmo indicador apontei algumas vezes para o meu relógio, olhei para frente e fiz cara de meio doido. Finalmente o viadinho desistiu e ficou atrás de mim.
Isto não é para contar que odeio fila, especialmente de banco, principalmente de banco fodido, até porque (felizmente) quase não preciso ir à boca do caixa. E, além do mais, quem gosta de fila não é certo das idéias.
Isto é para contar que comigo gente folgada não tem vez. Pessoas que tentam se dar bem em cima dos outros, que se fazem de bobos, que como quem não quer nada se aproveitam da ingenuidade alheia... essas pessoas são a escória da humanidade.
Para esses merdas, um “foda-se” do tamanho da filha-da-putice deles.
- Estou com muita pressa, eu tenho que... - Nem prestei atenção à explicação dele, não me lembro de como ele terminou a longa frase, enquanto eu olhava para o moooonte de contas que ele, com cara deslavada, trazia nas mãos. Eu já ensaiava boas respostas, todas incluindo “vai se foder”, “vai dar” etc.
Na verdade, no meu dia-a-dia não sou de falar tanto palavrão nem sou uma pessoa tipicamente grossa. Eu até tenho lá meus raros surtos de ser cortês e fino. No geral, sou na minha, nem grosso, nem um cavalheiro chatinho de tão cortês. Quanto às situações emputecedoras da vida, estou sempre me controlando para não acabar verbalizando toda a minha ira e toda a minha vontade de mandar o oponente ou o acaso à puta que os pariu. O caso da moça do telemarketing ali embaixo foi mais ou menos verídico, se bem que não tive a menor intenção de ofender.
Voltando ao camarada no banco, eu era o último da fila e, exatamente por ser o último, causava uma falsa impressão de que eu havia chegado ali há pouco tempo. Não, eu já estava ali há mais de dez minutos. Não sei por que diabos, nesse intervalo ninguém mais entrou na fila depois de mim. E então o camarada folgado apareceu. Só havia quatro pessoas na minha frente, mas eu estava com uma pressa do caralho.
O banco era bem fuleiro e só havia dois caixas, sendo um deles destinado a idosos, deficientes e gestantes - ou seja, só um caixa para a minha fila. Eu ia pagar só uma continha e o camarada que pedia para “passar na minha frente” ia pagar um moooonte de contas. Que merda.
Matutei e fiz o seguinte. Como eu não havia respondido nada ainda, com o indicador direito apontei meu ouvido e fiz sinal de não. O camarada entendeu que eu era surdo-mudo e não estava entendendo. Pensei que ele ia desistir e o viadinho começou a fazer gestos, dando a entender que queria passar na minha frente. Que merda. Aí com o mesmo indicador apontei algumas vezes para o meu relógio, olhei para frente e fiz cara de meio doido. Finalmente o viadinho desistiu e ficou atrás de mim.
Isto não é para contar que odeio fila, especialmente de banco, principalmente de banco fodido, até porque (felizmente) quase não preciso ir à boca do caixa. E, além do mais, quem gosta de fila não é certo das idéias.
Isto é para contar que comigo gente folgada não tem vez. Pessoas que tentam se dar bem em cima dos outros, que se fazem de bobos, que como quem não quer nada se aproveitam da ingenuidade alheia... essas pessoas são a escória da humanidade.
Para esses merdas, um “foda-se” do tamanho da filha-da-putice deles.
